domingo, 9 de março de 2014

O grande Anel da Soja


A soja é uma oleaginosa originária da China que ganhou o mundo e encontrou os Estados Unidos para ser o seu maior produtor, até ser desbancado pelo Brasil, onde atingiu grande produtividade e a pesquisa fez com que dominasse tecnologia de ponta em produção. A soja chegou ao nosso país sendo produzida na costa e foi se expandindo, ganhando os caminhos do interior, chegando até Mato Grosso, que se tornou um grande produtor. Essa expansão fez com que atingíssemos a condição de primeiro produtor mundial, mas teve a carga de aumentar o frete sempre que se afastava mais dos portos de embarque e então perdia força de competição nos mercados mundiais.

No Maranhão foi o contrário: a soja foi cultivada em primeiro lugar no interior, longe dos portos, e à proporção em que avança, ocupando novas áreas de plantio seu custo de transporte, vai barateando e ela se torna mais competitiva e atrai mais produtores. Começou nos platôs de Balsas, nas mesas - como chamam - das serras, numa altitude em que ela se desenvolve muito bem, e desceu para os cerrados que com a terra corrigida por calcáreo, assistida tecnicamente pela Embrapa, também alcançou ótimos níveis de produtividade. No primeiro governo de Roseana, produzimos 80 mil toneladas de grãos. Foi a época dos pioneiros gaúchos que chegaram a Balsas, o nosso grande polo agrícola. Depois, Roseana construiu as estradas do sertão e facilitou o escoamento da produção. Asfaltou quase todas as estradas até Alto Parnaíba na divisa com o Piauí. O certo é que as 80 mil toneladas que produzíamos saltaram para três milhões no ano passado. Avançamos em tecnologia, em melhoria de infraestrutura, em incentivos que o Governo do Estado passou a dar e que foi responsável pelo grande avanço, e agora a perspectiva é a de que seremos um gigantesco pólo agrícola que dispõe de boas estradas, inclusive a Norte-Sul, que em Porto Franco tem um terminal de grande capacidade, feito durante o meu governo como presidente da República. Agora, com o Anel da Soja, teremos incorporados ao complexo nosso de terminal de grãos, os Gerais de Balsas, que há muito tempo reivindicam essa obra, chegando às fronteiras do Estado de Tocantins, que passará a ter essa ligação moderna conosco. São 451 quilômetros de estradas novas e 233 de restauração, com investimento de 765 milhões de reais com a ordem de serviço já expedida e as obras iniciadas. Será a maior obra do sertão, obra notável, que tornará de vez o sertão, o sul do Maranhão, uma região de grande desenvolvimento. Já temos o embarque de 40 mil toneladas de celulose, produzida pela fábrica da Suzano em Imperatriz, em julho teremos a inauguração da Siderúrgica de Imperatriz, da Gusa Nordeste, que vai fazer dali um grande polo minero-metalúrgico.
Estas obras não são encontradas numa prateleira para serem compradas. Levam tempo e são sempre obras de estadistas que tem os olhos voltados para o futuro. Foi assim que pensamos no Maranhão, que pensou Lobão, que pensou Roseana. E isso é possível, hoje, porque tivemos uma visão e não usamos da demagogia e sim das obras estruturantes sem as quais é impossível o progresso. É fácil dizer que o Maranhão é pobre e mentir dizendo que é o último estado do Brasil. Mentira é uma palavra pequena para essa inverdade. Melhor usar a velha palavra patranha que é uma mentira safada. Os jovens não conheceram o Maranhão e a tristeza que ele era, merecendo de Marcelino Machado a expressão burgo podre. Rui Barbosa, criticado por avaliações desse tipo, disse que plantava carvalhos e não couve, porque a couve dura 24 horas e o carvalho um século.

A revista Exame desta semana diz o que será o Porto do Itaqui com a duplicação do Canal do Panamá, que fica aqui perto. Um dos dez maiores portos do mundo, diminuirá o tempo de viagem para a Ásia em 10 dias, o que significa a metade do frete pago atualmente. Assim, será o mais perto e o melhor escoadouro para o Brasil.

Inclusive, ali está sendo construído, já em fase final das obras, o Terminal de Grãos, o Tegran, grande obra para atender a exportação de grãos (soja, milho, arroz, feijão, tec.). Tudo isso inserido no conjunto de grandes obras, como os 72 hospitais, UPAs, estradas, usinas de grãos, produção de celulose, a ligação de todas as sedes municipais por estradas asfaltadas e tudo mais que faz com que o Maranhão seja o estado que mais cresce no Brasil, 10,3%.

O Anel da Soja é um marco no desenvolvimento do Maranhão, e Roseana, uma vez mais, mostra a grande estadista que é e o quanto tem feito por seu estado.


Coluna do Sarney - O Estado do Maranhão