sábado, 19 de setembro de 2015

PM do DF usa spray de pimenta em ato contra aumento da tarifa do ônibus


Estudantes e ativistas do Distrito Federal entraram em confronto com a Polícia Militar durante protesto contra o aumento das tarifas de ônibus e do Metrô nesta sexta-feira (18), na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. A PM chegou a usar spray de pimenta e gás lacrimogêneo. O grupo se manifestou contra o anúncio do governo de reajustar as passagens do transporte para valores até R$ 4, a partir do próximo domingo (20).

A PM montou uma barreira no acesso da plataforma inferior da rodoviária à estação Central do Metrô. A entrada no terminal foi restrita. Após a ação, os manifestantes se dispersaram, mas permaneceram nas áreas da rodoviária do Plano Piloto. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve nenhum socorro devido ao uso do spray de pimenta.


O comando da PM disse que não houve excesso no uso da força, e que os sprays de pimenta só foram usados "quando os estudantes partiram para cima dos policiais". Segundo a corporação, várias tentativas de negociação fracassaram.

Os militares afirmam que os estudantes tentavam invadir a área das catracas do Metrô e desrespeitar a linha de contenção feita em frente ao espaço. A PM afirma que os estudantes atiravam pedaços de pau e coquetéis molotov (bomba de fabricação caseira), e que o gás de pimenta foi usado "para não usar a força física direta".

Dois policiais militares ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital de Base e a um hospital privado. A PM não informou quais os ferimentos. Um estudante foi apreendido com coquetel molotov e "vários" foram detidos durante a manifestação. A PM não informou número exato.

O conflito entre policiais e estudantes foi o primeiro do tipo registrado desde o início do governo de Rodrigo Rollemberg, em janeiro. Em nota, o GDF disse que "lamenta o confronto" e que "manifestações são legítimas, mas devem ser pacíficas".

A nota respalda a atuação da PM e diz que "manifestantes continuaram a tentar invadir as instalações do Metrô". "Nesse momento, foi necessário o uso da força não letal, como preconizado pela Organização das Nações Unidas", diz o texto.

Segundo a Polícia Militar, 600 pessoas participam do ato. A PM acompanha o trajeto dos manifestantes, que seguem em direção à W3 Norte. A corporação desviou o trânsito para o Eixão Norte.

Em seguida, os manifestantes retornaram em direção à rodoviária. Por volta das 19h45 eles seguiram pela rua que contorna o terminal e iniciaram o bloqueio pela via S1 do Eixo Monumental (sentido Congresso Nacional). Às 20h, eles liberaram o trânsito e voltaram para o interior da rodoviária.

"É um ataque direto ao nosso direito de mobilidade, que é fundamental para o acesso a outros direitos como saúde, educação e moradia", afirma o militante do Movimento Passe Livre (MPL) Caio Siqueira.

O estudante diz reconhecer que o prazo é curto, já que as novas tarifas começam a valer na próxima semana, mas diz que "o movimento não sairá da rua até que a mudança seja revogada. Os manifestantes contestam outras medidas de austeridade anunciadas pelo GDF.
"Somos contra o aumento da entrada do zoológico, contra o aumento nos restaurantes comunitários, todas essas medidas que atacam direitos da população mais pobre e dos jovens do DF", diz Siqueira.

Por volta das 18h, os manifestantes se concentravam na plataforma inferior da rodoviária, sem interferir nas filas de passageiros que aguardavam o transporte para a volta para casa. Até este horário, o grupo ainda não tinha definido o destino da manifestação, que deve ser votado em assembleia. "Vai parar, vai parar, a cidade vai parar", cantavam os manifestantes.

No panfleto distribuído no terminal, o Movimento Passe Livre diz que "as noites de sono de Rollemberg acabaram" e pede medidas como auditoria nas contas das empresas de onibus e redução das margens de lucro no setor.

Por volta das 18h20, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) se juntaram ao protesto. Eles pedem moradia e também criticam o aumento das passagens e o pacote de austeridade de Rollemberg.

Fonte: Portal G1-DF