terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Comemorando seus 28 Anos Kambalacho homenageia Ganga Zumba


Ao longo dos seus vinte e oito anos de existência, o bloco do Anjo da Guarda tem contribuído de forma significante com a cultura popular maranhense, potencializado a cada ano o carnaval ludovicense ao trabalhar vários temas que de uma forma ou de outra, engrandece os saberes culturais do nosso Estado.

Musicalmente já realizaram várias viagens poéticas em letras e melodias de diversos talentosos compositores do próprio bairro, como: Wallasse Godinho;  Wilson Bozzó; Geraldo Moraes (Geraldinho), in memorian; Domingos Camara Nunes (Dudú), in memorian; e Gigi Moreira, este último com a maior participação tanto como carnavalesco, como cantor e como compositor reunindo atualmente mais ou menos a criação de 10 (dez) fantasias, 12 (doze) composições musicais, mais de 20 (vinte) participações como músico no circuito de rua e desfile de passarela.

O bloco promete mais uma vez apresentar um belíssimo espetáculo nas ruas e na passarela cantando a música de Gigi Moreira, nas vozes de Marcelo Rosas e Ugo Reis, acompanhados pelas cordas de Gigi Moreira, Wendell Cosmo e João Eudes. O figurino é assinado por Jailson da Liberdade

O ano de destaque do bloco foi em 1999 quando a música “Carnaval é assim”, a mais tocada nas emissoras de São Luís, recebeu todos os elogios da critica carnavalesca ludovicense pela beleza da melodia e a simplicidade de uma letra que descrevia a movimentação em câmara lenta de uma Ema, animal considerado a maior ave brasileira, que na música expressava uma leveza de um bailado imaginário similar à movimentação dos balizas dos blocos tradicionais, que só existem em São Luís. A fantasia deste mesmo ano representava a penugem do animal mencionado onde carnavalesco Gigi Moreira modificou a forma de aplicação das plumas que eram geralmente usadas emchapéus para os destaques de cabeça, sendo também utilizadas como indumentária dos brincantes.

O Kambalacho do Ritmo reúne vários títulos do grupo B, mas atualmente está no grupo A da categoria dos Blocos Tradicionais e vem neste ano de 2014 em plena igualdade na disputa do título com o tema “Salve Ganga Zumba: o verdadeiro herói da libertação do País Afro-Brasil”.


Ganga Zumba, ou Grande Senhor, foi o primeiro líder do Quilombo dos Palmares ou Janga Angolana, no atual Estado de Alagoas, Brasil. Governou entre 1670 e 1678. Foi o antecessor de seu sobrinho Zumbi. Ganga Zumba foi um escravo que escapou do cativeiro nos canaviais e assumiu uma posição como herdeiro do reino de Palmares ganhando o título de Ganga Zumba. Apesar de alguns documentos portugueses lhe darem este nome e o traduzirem como "Grande Senhor", ele provavelmente não está correto. Entretanto, uma carta endereçada a ele pelo governador de Pernambuco em 1678, que se encontra até hoje nos Arquivos da Universidade de Coimbra, chama-o de Ganazumba, que é a melhor tradução de Grande Lorde (em Kimbundu).

Os quilombos ou mocambos eram refúgios de escravos foragidos, principalmente de origem angolana (Angola), que se refugiavam no interior do Brasil, principalmente na região montanhosa de Pernambuco. À medida que seu número foi crescendo, eles formaram assentamentos chamados de "mocambos".

Gradualmente diversos mocambos se juntaram no chamado Quilombo dos Palmares sobre o comando do Rei Ganga Zumba, que talvez tenha sido eleito pelos lideres dos mocambos que formavam Palmares. Ganga Zumba, que governava a maior das vilas, Cerro dos Macacos, presidia o conselho de chefes dos mocambos e era considerado o Rei de Palmares. Os outros 9 (nove) assentamentos eram comandados por irmãos, filhos ou sobrinhos de Ganga Zumba. Zumbi era chefe de uma das comunidades e seu irmão Andalaquituche comandava outra.


Por volta dos anos de 1670, Ganga Zumba tinha um palácio, três esposas, guardas, ministros e súditos devotos no "castelo" real chamado "Macaco" em homenagem ao animal que havia sido morto no local. O complexo do castelo era formado por 1.500 casas que abrigavam sua família, guardas e oficiais que faziam parte de nobreza. Ele recebia o respeito de um Monarca e as honras de um Lorde.

Em 1678, Ganga Zumba aceitou um tratado de paz oferecido pelo Governador Português de Pernambuco, o qual requeria que os habitantes de Palmares se mudassem para o Vale do Cucau. O tratado foi desafiado por Zumbi, um dos sobrinhos de Ganga Zumba, que se revoltou contra ele. Na confusão que se seguiu Ganga Zumba foi envenenado, muito provavelmente por um dos seus, por fazer um tratado com os portugueses. Os que se mudaram para o Vale do Cucau foram reescravizados pelos Portugueses. A resistência aos Portugueses continuou com Zumbi.


“NA SENZALA NEGRO ESCRAVO
NO QUILOMBO NEGRO SENHOR
NO CASTELO DOS “MACACOS”,
COMO UM LORDE ELE REINOU 
FOI ESCRAVO  FOI NOBREZA
GANGA ZUMBA É MEU REI SENHOR”